Archive for the 'Projetos de Aventura' Category

Corrida de São Silvestre Usando a Corrente Crítica – post #6

Análise de Riscos da Corrida de São Silvestre Usando o Método da Corrente Crítica

Enfim, como um profissional do gerenciamento de projetos, não haveria um plano seu eu não elaborasse uma análise de riscos. E olha que me parecem ser muitos.

Vou categorizar os riscos do projeto em:

1. Relacionados ao meu desempenho físico

2. Relacionados aos dispositivos tecnológicos de controle

3. Relacionados ao processo de controle

Seguem alguns riscos identificados:

RELACIONADOS AO MEU DESEMPENHO FÍSICO 

–       Muito sol e calor, provocando desgaste além da minha capacidade física. RESPOSTA: Últimos treinos feito sob o sol do meio dia em São Paulo

–       Chuva, provocando bolhas nos pés. RESPOSTA: Meias e tênis adequados. Mesmo usando equipamento adequado, não vou conseguir evitar bolhas, durante essa prova relativamente curta, caso chova torrencialmente. Portanto, se vierem as bolhas, sentirei dor até o final da prova, depois eu trato delas.

–       Quedas, provocando machucados e dores. RESPOSTA: Tentarei ficar “ligado” no percurso, visualizando os próximos 6 passos. Tentarei correr no meio das ruas onde o asfalto geralmente é mais plano. Conforme os machucados provocados pela queda, isso será condição de abortar a corrida.

–       Lesões musculares ou ósseas, provocando dores. RESPOSTA: Farei um aquecimento adequado antes da prova.

–       Ânsia ou tontura, provocando desconforto. RESPOSTA: Farei uma dieta adequada antes da prova.

–       Desidratação, impactando o desempenho. RESPOSTA: Disponho de uma programação adequada de hidratação antes, durante e depois da prova.

RELACIONADOS AOS DISPOSITIVOS TECNOLÓGICOS E DE CONTROLE

–       Celular sem sinal, ou ligação interrompida durante a prova, provocando falta de comunicação entre eu e o PMO. RESPOSTA: Como estarei conectado o tempo todo, se eu perceber que o sinal foi perdido, pararei de correr e ligarei novamente, o que vai prejudicar o desempenho, mas manterá o projeto.

–       Delay do GPS pior do que o desempenho em testes. RESPOSTA: O GPS será um mecanismo secundário de controle. O mecanismo primário será o celular.

–       Falta de conexão internet para os Colaboradores do PMO. RESPOSTA: Além da checagem do sinal antes da prova, teremos a disposição um mecanismo secundário de conexão via celular.

–       Problemas no uso do aplicativo Prochain. RESPOSTA: Pouco provável, mas se acontecer, inviabilizará o projeto.

–       Problemas com meu celular ou com o meu head set. RESPOSTA: Inviabilizará o projeto.

RELACIONADOS AO PROCESSO DE CONTROLE

–       Comunicação inadequada entre eu e o Vitório. RESPOSTA: Definição de códigos de comunicação padronizados.

–       Comunicação inadequada entre o Vitório e o Fábio. RESPOSTA: Definição de códigos de comunicação padronizados.

–       Comunicação inadequada entre o Vitório e eu. RESPOSTA: Definição de códigos de comunicação padronizados.

–       Cronometragem errada. RESPOSTA: Testes, testes e mais testes durante esta semana.

–       Uso inadequado do aplicativo Prochain. RESPOSTA: Testes, testes e mais testes durante esta semana.

Enfim, agora é testar e torcer para que dê tudo certo. O Vitório estará tuitando o meu desempenho a cada trecho através do endereço @j2daconsulting. Acompanhe!      

  Alonso Mazini Soler, PMP – Profissional de Projetos, Professor de MBAs e Autor de livros de Gerenciamento de Projetos

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Corrida de São Silvestre Usando a Corrente Crítica – post #5

Gestão do Projeto pelo Método da Corrente Crítica

Em minha opinião, a grande “sacada” da aplicação do Método da Corrente Crítica, não reside simplesmente na elaboração de um novo cronograma “partido ao meio”, com a inclusão de pulmões de tempos ao final das pernas de atividades, mas sim, no que se deve fazer para acompanhar e controlar a evolução do trabalho.

Considerando que cada um dos 14 trechos de minha corrida dispõe agora de um tempo bastante agressivo para ser realizado, certamente terei que fazer uso de “parte” do tempo extra (proteção) extraído das estimativas originais, que estão consolidadas no Pulmão do Projeto, posicionado ao final da Corrente Crítica do cronograma. A questão é quanto do pulmão será usada ao final de cada trecho? Se eu conseguir correr e usar apenas o tempo que fora extraído, estarei consumindo proporcionalmente o Pulmão do Projeto e isso me indicará que terminarei dentro do tempo combinado de 1:44min – minha meta primária.

Aqui reside a vantagem do uso do Método da Corrente Crítica. Se eu for informado adequadamente sobre o meu Consumo do Pulmão do Projeto, poderei regular e adaptar o meu ritmo (se eu conseguir e se tiver fôlego para tanto) de modo a economizar tempo de Pulmão, o que potencializará o término da minha corrida sem consumir todo o Pulmão do Projeto, o que acarretará no término antecipado, antes do tempo de 1:44min – minha meta secundária.

Ou seja, durante a corrida, tudo se resume ao acompanhamento preciso da evolução dos trechos, no apontamento do horário de seu término, no cálculo e comunicação do consumo dos pulmões aos interessados (no caso, apenas eu) e na motivação/condição adequada para a tomada de ações preventivas e corretivas de manutenção do Consumo do Pulmão do Projeto dentro de parâmetros considerados aceitáveis (zona verde). Parece simples não? Pois não o é. Pela minha experiência, esse é o ponto mais complexo da aplicação da CCPM.

Enfim, como planejamos fazer isso tudo durante a corrida de modo online? Em primeiro lugar, montamos um PMO (War Room) que estará funcionando num apartamento próximo à Avenida Paulista. Lá estarão dois colaboradores voluntários, o Fábio Vampel, Especialista em aplicação da CCPM que elaborou o cronograma e estará responsável pela operação do software (Prochain), apontamentos de tempos de conclusão de trechos e cálculo do Consumo do Pulmão do Projeto. O outro Colaborador será o Vitório Cabral, profissional de mídia, que vem estudando e praticando o gerenciamento de projetos pela J2DA Consulting. Este último será responsável pelo acompanhamento, via Google Maps e GPS, do meu posicionamento durante o percurso e pelo interfaceamento da comunicação entre eu e o Fábio Vampel durante a prova.

Para tanto, correrei portando um GPS com dispositivo de acompanhamento online através do aplicativo RunKeeper do Iphone 3GS. Já fizemos diversos testes do aplicativo e concluímos que ele funciona bem, apesar do delay de 1 minuto para a atualização da minha posição. Todo o controle poderia ser feito apenas através desse dispositivo. Vitório cronometraria o tempo de minha chegada em cada trecho, apontaria o tempo real para o Fábio, que atualizaria o Prochain e devolveria ao Vitório o meu Consumo de Pulmão. Por sua vez, Vitório me passaria a informação através do celular ligado, durante as quase 2 horas de prova.

Considerando que estarei com celular ligado, consideramos então aprimorar o apontamento dos tempos de chegada em cada trecho através do meu próprio comando. Eu direi: “terminando trecho x”. Vitório cronometrará esse tempo e checará pela tela do computador o mapa do GPS (que apresentará um certo delay natural). Passará a informação ao Fábio que atualizará o Prochain e devolverá com o cálculo do Consumo do Pulmão. Vitório então me informará sobre o meu Consumo do Pulmão através do Indicador de Consumo: Quociente entre o Avanço da Corrente Crítica e o Consumo do Pulmão. Eu, por meu lado, tentarei adaptar meu ritmo ao Consumo do Pulmão indicado, motivado que estarei para terminar antes do tempo de 1:44min combinado. 

Um conjunto de aparatos tecnológicos que terá que funcionar perfeitamente para que o projeto aconteça. Bem parecido com o controle de um projeto real através da CCPM.

Bem, no próximo post proporcionarei uma análise de riscos do projeto.    

Alonso Mazini Soler, PMP – Profissional de Projetos, Professor de MBAs e Autor de livros de Gerenciamento de Projetos

Corrida de São Silvestre Usando a Corrente Crítica – post #4

Elaboração do Cronograma em Corrente Crítica

Retomando o planejamento do cronograma da minha corrida de São Silvestre, reforço o ponto de que o cronograma original elaborado (post #3) foi construído pautado por premissas bastante realistas. Não se trata de um cronograma “fake” elaborado apenas para fazer o Método da Corrente Crítica funcionar. Qualquer corredor experiente dirá que completar os 15Km de prova numa velocidade média de 9,5 Km/h (aplicados alguns deflatores), no tempo de 1:44 min é bastante adequado, para não dizer “agressivo”, em se tratando de um atleta amador de finais de semana como eu.   

Assim, tal como num projeto, tudo na CCPM começa com um cronograma realístico, sob a ótica da estimativa de tempos das durações das atividades.

Vamos entender então a alocação de PULMÕES de tempo a esse cronograma original. Duas considerações são pertinentes:

1. Considerando que minha corrida evoluirá através de 14 trechos seqüênciais dependentes pela relação FS (Finisht to Start), e que esse caminho único é a minha Corrente Crítica – restrição do sistema que impede um resultado de maior valor para minha corrida (chegar antes do horário combinado, antes das 1:44 min).

2. Considerando que a estimativa de duração de cada um desses 14 trechos, levou em conta a premissa de velocidade basal de 9,5 Km/h e o deflator por complexidade, posso assumir que esses tempos por trechos (Tabela 2 – post #3) podem estar superestimados (difícil de admitir, por tudo o que foi mencionado no primeiro parágrafo deste post), isto é, podem incluem “alguma” proteção extra de tempo, sob a ótica estatística. Não necessariamente isso é verdadeiro, mas a CCPM faz uso dessa suposta verdade em proveito da motivação para fazer o projeto acontecer no prazo, ou antes. 

Mas será que essas “proteções” acrescidas aos tempos de cada uma das 14 atividades do projeto me ajudarão a terminar a prova no tempo combinado de 1:44min ? Pois a Teoria da Corrente Crítica faz uso de conceitos estatísticos para provar que não! Indico aos meus Leitores que procurem rever um pouco mais sobre a teoria da CCPM neste momento se tiverem alguma dúvida sobre isso – ou me procurem depois da prova (ufa!).

Baseado na teoria da CCPM, vou reconstruir o cronograma original da minha prova (post #3), extraindo as proteções individuais de tempos de cada um dos 14 trechos, consolidando-as em um único pacote de proteção (chamado PULMÃO DO PROJETO) e vou acrescentá-lo integralmente ao final da Corrente Crítica do cronograma, dependente em FS do último trecho que será percorrido (trecho 14).

Mas quanta proteção devo extrair de cada trecho ? Pode parecer uma resposta inadequada para quem não viveu ainda a apicação da CCPM mas, para mim, neste momento do planejamento, não importa o quanto. Qualquer quantidade de tempo extraída será considerada adequada para a aplicação do Método da Corrente Crítica. Decidimos, por motivo de facilidade nos cálculos, extrair 50% do tempo estimado de cada trecho e incluí-los integralmente no Pulmão do Projeto.

O que? Quer dizer que ao invés de fazer a prova em 1:44min, você pretende fazê-la em 52min? Vai competir contra os Quenianos? Não! Não é isso!

A decisão acima exige o mínimo de explicação e entendimento da teoria da CCPM. Adotando-a, meu novo cronograma em CCPM continuará a apontar meu tempo combinado de chegada em 1:44min. O que ganhei com isso? A possibilidade de manter um controle motivacional adequado para que esse tempo realmente aconteça, ou algum tempo inferior a esse.

Essa decisão de consolidar TODA a proteção de tempo extraída de cada atividade do cronograma num único grande pacote de tempo ao final do cronograma, não é a mais desafiadora, mas é muito útil em projetos que evoluem através da contratação de serviços de terceiros, vide a teoria da CCPM. Tal como eu quero ilustrar nesta aplicação.   

O foco da gestão por Corrente Crítica deixa de ser direcionado para o atendimento dos prazos de cada atividade e passa a priorizar o tempo total do projeto. Ou seja, com a aplicação da CCPM, terei mais chance de terminar em 1:44min do que teria se estivesse trabalhando no cronograma original. Isso pode parecer dogmático, mas não o é, dispõe de prova teórica e aplicada. Eu mesmo serei uma cobaia da aplicação dessa teoria.

Considerando então a visão de projetos, meu novo cronograma em Corrente Crítica, que servirá de base para o controle da minha corrida, ficou do seguinte modo:

Enfim, de posse de um planejamento, acompanhamento/controle e motivação adequados, esse novo cronograma será acompanhado e os resultados imediatos me serão comunicados durante a corrida para que eu possa regular meu pacing durante a prova. Leiam sobre o planejamento da gestão em CCPM no próximo post.

Alonso Mazini Soler, PMP – Profissional de Projetos, Professor de MBAs e Autor de livros de Gerenciamento de Projetos

O Caminho do Sol – Aventura sob uma bike

Postado em: 02/10/2008 – em: Blog do Soler

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No último feriado do Dia do Trabalho eu, meu filho Diego e meu amigo Marco Mezzena, nos lançamos num projeto de cumprir os 250 Km de trilhas do Caminho do Sol – Caminho de Santiago de Compostela no Brasil , de bicicleta, durante 3 dias e meio.

Confesso que usei do meu mais alto grau de precisão no planejamento do projeto. Levantamos informações de quem já havia feito a trilha, conversamos com grande especialista do “pedal”, enfim, tudo conforme manda o figurino, inclusive preparei uma análise de riscos detalhada, através da qual, foram tomadas ações preventivas e de mitigação para a maior parte dos riscos identificados.

Elaborei um Plano de Projeto minucioso, uma lista de equipamentos, víveres e preparação física/psicológica que nos apoiariam durante a jornada. Partimos, super empolgados, de Santana do Parnaíba (Pousada 1808) as 6:30hs do dia 01/Maio. Fazia frio, mas não chovia. O equipamento estava perfeito, o preparo físico adequado.

Tudo OK! Daí em diante, desde o início, começaram as dificuldades não planejadas. Chuva torrencial durante todos os dias ininterruptamente, lama acima da conta a ponto de impossibilitar a byke de andar na trilha e emperrar o mecanismo de troca de marchas, sapatinhas de freio que se desgastaram acima de qualquer previsão por conta da adstringência da lama e da roda, pneus que furaram acima da quantidade planejada de câmaras de ar sobressalentes, pontes caídas, cansaço e dores lombares acima do planejado – essa última dificuldade, provavelmente por conta da jornada (em um dos dias) de 13,5 horas pedalando no meio de trilhas, inclusive no escuro intenso das ruas de um canavial, sem luz nas bykes ou nos capacetes (afinal, não nos planejamos para pedalar a noite!).

Tudo foi dando errado, roupas molhadas no corpo e dentro das mochilas (supostamente impermeáveis), frio intenso, equipamento de localização danificados pela chuva, Bykes que iam se deteriorando e quebrando com o excesso de pressão sobre elas. Sem contar o aspecto físico e psicológico. O que minha esposa diria se algo acontecesse com meu filho?

Apesar de tudo isso nossa vontade de chegar era enorme. Nos superamos a cada dificuldade. Passamos por cima do plano e resolvemos chegar a qualquer custo. O senso de comprometimento e de integração da equipe funcionou milagrosamente. Quando um parecia que ia desistir, havia o outro para ajudar. Perceveramos e conseguimos chegar. Em que estado? Detonados! O câmbio da byke do meu filho foi largado no caminho, após quebrar em pedaços. A corente foi ajustada para a marcha mais leve. Pelo menos ele pode pedalar nas subidas. Já nas retas e descidas, ele tinha que ser empurrado pelas costas.

Faltava menos de 3 KM e a garupeira da byke do Marco quebrou de vez. A mochila foi para as costas. Ainda bem que estávamos no fim. Ele não teria condições de andar muito tempo com uma mochila pesada (molhada) nas costas por muito tempo. Isso me lembra uma frase que li num livro: “Pain is temporary. Proud is forever”.

Nós chegamos e esquecemos a dor. Restou a vitória! De tudo ficou a pergunta: O que nos fez chegar ? Ou melhor, será que o plano nos fez chegar ? Ou a nossa vontade e senso de superação nos fez chegar ? Será que devo investir mais na elaboração de um plano de projeto super detalhado ou cuidar para que os integrantes da equipe estejam comprometidos com o resultado? O que é mais importante/ Quão importante?

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